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Curiosidades sobre Produção Executiva e Artística – Dani Ribeiro

Você sabe o que de fato é expectativa? Ela geralmente é construída gradativamente por meio de um envolvimento emocional de tudo aquilo que será vivenciado, principalmente quando falamos de eventos.

Uma grande parte da expectativa é gerada em torno dos artistas que irão se apresentar. Você sabe o que está por trás da apresentação do artista e quais são os passos para a apresentação acontecer?

Vou te contar algumas curiosidades sobre:

1 – Pesquisa

Pesquiso diariamente sobre os artistas e quais são as posturas e personalidade de cada. Sim, procuro saber qual a postura de cada um. Mas para que isso?!

Como somos responsáveis por gerar experiências e queremos que essas experiências sejam positivas, não aceitamos nenhuma forma de agressão.

Não podemos controlar o público e fazer com que todos pensem que nem nós.  Mas podemos nos colocar e mostrar no que acreditamos e defendemos quando contratamos algumas atrações.

2 – Organização

Organizo o material por pastas de acordo com o evento, estilo musical e projetos da Fábrica.

Vou citar o Réveillon Mil Sorrisos como exemplo:

Nas pastas, separadas por data, incluo material de divulgação e necessidades. E aí começam as questões mais pertinentes.

– O artista “Tal” é muito bom!  – Mas o cachê está acima da média dos outros que também estão fazendo sucesso, e está acima do que temos de verba. 

O artista viaja com o mínimo de 15 pessoas na equipe, então temos que arcar com os custos da logística (aéreos, transportes terrestres, hospedagem, diárias de alimentação) mais os riders de camarins. Dentre essas exigências estão:

– 05 quartos singles em hotéis 05 estrelas.

– 01 carro a disposição para cada artista + 01 van para os dançarinos + 01 van para a equipe.

– Riders de camarim com arroz carreteiro, barca de japonês, cascatas de camarão, licor de R$300, bebida láctea de morango, hamburguer do fast food específico, meias, carregador de celular, micro-ondas, estrutura de buffet, utensílios de louça e inox …. e por aí vai.

Geralmente são três estruturas de camarins, um para o artista, outro para banda e dançarinos e o terceiro para a equipe de produção.

3 – Como agir diante dessas situações?

Vou separar por tópicos.

Uma dica importante: tudo é negociável!

Cachê

Converso com o empresário e coloco a realidade do evento. O réveillon Mil Sorrisos que estou usando como exemplo, é realizado na península de Maraú em Barra Grande.  Explico os custos e desafios de realizar o réveillon em uma península e ressalto alguns pontos importantes para a qualidade do evento, depois disso coloco o valor que temos para pagar o cachê. Deixo claro que em nenhum momento estou desmerecendo o trabalho do artista e equipe, mas jogo limpo com a situação.

Logística

Vou começar sugerindo algumas dicas:

O “achismo”, o imediatismo, tem um caminhozinho mais rápido…, na hora nós resolvemos… Não funciona e nunca vai funcionar!

Logística é otimização e racionalidade! Então precedência não é frescura e exagero.

Os primeiros passos são:

  •         Relacionar as tarefas e ações que precisa executar;
  •         Determinar os detalhes envolvidos: custos e o quanto tem de verba disponível, horários de shows em outros locais na mesma data, distância e tempo até o evento, opções de transportes para chegar com no máximo meia hora antes do show no local do evento… Jamais podemos esquecer que os artistas e equipes passam a maior parte do tempo fora das suas casas. Por isso nossa obrigação é oferecer o mínimo de conforto, aconchego e estrutura, dentro da verba que temos disponível.
  •         Selecionar os responsáveis e fornecedores por cada etapa;
  •         Estipular prazos e horários de conclusão
  •         Elaborar as ações para minimizar imprevistos;
  •         Prever alternativas de solução caso ocorram. A realidade é que sempre ocorre, por isso se prepare para as situações mais inusitadas.

 

O evento depende de você, a responsabilidade do evento dar certo, nessa situação é sua! Sem atração musical, não há evento.

Então se coloque e mostre que algumas exigências não pode ser  da forma solicitada.

Começo a pesquisar valores de aéreos, escalas com tempo menor, horários de voos particulares, pistas de pouso autorizados pela ANAC, transportes terrestres e marítimos, hospedagem, locais para alimentação de acordo com as exigências dos artistas em março, para tentar fechar toda a logística até maio. Infelizmente isso depende de muitos fatores e na maioria das vezes não sai como o planejado. Por isso precisamos sempre ter algumas alternativas.

Contando com todos os imprevistos possíveis o que me restou em Barra Grande foi tentar fazer uma parte da logística pelo mar, independe dos horários, atrações e equipamentos. Sim meus amigos, faço a rota entre 25 min 35min com artistas as 3h00 pelo mar. Mas como?!

Fui atrás do presidente da associação marítima. Fizemos e cronometramos as rotas diante de vários cenários, verifiquei a documentação dos barcos e marinheiros, fui atrás da autorização da marinha para funcionar de madrugada, cronometrei o tempo que as vans e carros levam para chegar aos portos por terra.  Por isso é importante você está no local do evento pelo menos 20 dias antes do início.

Depois de todos esses pontos citados enviamos as opções de logísticas terrestres e marítimas para a produção de cada artista. Devido uma parte da estrada até Barra Grande ser de terra,  a maioria, apesar do receio acaba optando pelo transporte marítimo.

Em relação a hospedagem temos que trabalhar com o que Barra Grande nos oferece, por isso é importante sempre mostrar a realidade do local, envio as opções para os produtores e vamos nos adequando de acordo com as possibilidades.

Camarins

Da mesma forma que tem artista que nega fazer o show porque o pacote de meias não está no camarim, tem o artista que aceita que tenha pizza e salgadinhos no lugar da barca de sushi.

Não tome nenhuma atitude de alterar algum item de camarim sem conversar e entrar em um acordo com o produtor.

Isso pode causar transtornos irremediáveis como o cancelamento do show!

Tudo se resolve a base da conversa e trabalho em equipe, ninguém faz nada sozinha.

Texto por Dani Ribeiro

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