Categorias

Sumiram os likes, e agora?

O Instagram anunciou, a partir dessa semana, o fim da visualização das curtidas em sua plataforma.

É oficial: após o anúncio do Instagram, feito em abril por Adam Mosseri, chefe da rede social, a plataforma iniciou os seus testes e já começou a remover os likes públicos em alguns países. Depois do Canadá, é a vez do Brasil, o segundo país com maior números de usuários (batendo mais de 66 milhões). A medida está deixando boa parte dos influenciadores preocupados, enquanto alguns usuários se animaram com a novidade. Mas o que motivou a plataforma a tomar tal atitude? 

De acordo com o Instagram, a iniciativa parece ter uma boa intenção. A ideia da plataforma é, basicamente, diminuir a competitividade por likes e focar mais em conteúdos que sejam, de fato, relevantes para os usuários da rede social. 

“Nós queremos que os seguidores foquem no que você compartilha, não em quantas curtidas seus posts têm”.

Se sentir bem com uma curtida ou qualquer tipo de interação não é necessariamente narcisismo ou necessidade de atenção, é simplesmente uma resposta biológica que nos faz ficar por mais tempo logados em busca de mais dessa “aceitação social”. A brincadeira piora quando começamos a acompanhar outros números que podem ferrar com o nosso psicológico e criar uma espécie de competição que simplesmente destrói a autoestima de qualquer um.

E agora a rede social pode apresentar um cenário diferente

A carência de números e comparações pode fazer com que os usuários tenham a necessidade de desenvolver conteúdos que realmente façam a diferença para o consumidor. É impor para os influencers uma posição onde a quantidade não vai mais servir como uma determinada relevância e conteúdo genuíno acabará ganhando mais espaço.

E por fim também diminuir essa ansiedade e essa necessidade de competir o tempo todo.

O que serão dos influenciadores e das marcas?

Vamos combinar que, quem vive e tem seu ganha pão como influenciador ou produtor de conteúdo pode ficar um pouco preocupado com essa nova medida de “esconder os likes”. E as marcas, como definir melhor como investir o seu dinheiro?

Pois bem, o Instagram e a gente sabe como o mercado de marketing hoje gira muito em torno do mercado de conteúdo, e a partir de agora teremos que tornar novas medidas pra analisar e decidir quem realmente é bom ou não para nossas ações. O que de certa forma aparenta ser um ponto importante, já que vamos parar de nos basear em números quantitativos e vamos em busca de números qualitativos, como engajamento, números de conteúdos salvos, interação e etc.

E a melhor solução para nos ajudar nesse novo momento é produzindo mídias kit. Para que as marcas consigam entender quem realmente pode ser bom ou não para o seu negócio.

Ou seja, teremos uma comunicação e uma análise mais complexa, mas sem dúvidas um resultado muito mais assertivo.

Marketing ou importância?

Você acredita que pequenas mudanças podem trazer grandes medidas? Pois bem, a gente sim.

O Instagram foi considerado em diversas pesquisas a pior rede social para os jovens, tanto para a autoestima, tanto quanto para a ansiedade. Quem nunca apagou uma foto porque você acha que o seu conteúdo “flopou”? E os números são os principais causadores desse problema, você não se limita ao conteúdo que quer apresentar e sim como as pessoas vão reagir ao o que você publicou. Além da questão de vivermos em um mundo onde tudo parece maravilhoso, lugares, comidas, festas e enquanto isso, você assiste a tudo aquilo da sua cama, sem aproveitar NADA.

“Como as mídias sociais têm sido muito criticadas, elas estão correndo atrás, antes tarde do que nunca, para tentar fazer com que o tempo despendido desses locais seja mais proveitoso. Tenho acompanhado pessoalmente o pessoal do Instagram, que tem feito esforços bem grandes para favorecer que o uso seja associado ao bem-estar”, observa Cristiano Nabuco, coordenador do Núcleo de Dependências Tecnológicas do Programa Ambulatorial Integrado dos Transtornos do Impulso (Pro-Amiti) do Instituto de Psiquiatria do HC da USP.

Nabuco celebra do fim da contagem pública de likes e afirma que é essencial que as redes trabalhem lado a lado com profissionais da saúde mental para equilibrar o jogo. 

“Se há milhares de anos as tribos de 100 pessoas tinham, digamos, cinco machos-alfa, hoje nas redes sociais quantos machos e fêmeas-alfa eu vejo? 5 mil? Todo mundo é ótimo, e isso cria um mal-estar que indica para o cérebro que você não é bom o suficiente, que tem que se esforçar em busca de valorização, de curtidas. As pessoas começam a se tornar like seekers. Quando eu publico algo e ninguém curte, eu apago.” Como você provavelmente já ouviu falar, a rede social acaba potencializando a sensação de isolamento de alguns. E isso não é bom para ninguém – nem para as pessoas, nem para as próprias empresas.

E agora?

A verdade é que os likes nunca foram uma boa base para definirmos o que é ou não conteúdo relevante. Levando em consideração a possibilidade de compra de seguidores e curtidas por perfis falsos que não dizem absolutamente nada sobre desempenho, o like se tornou somente mais uma maneira fácil de análise, que não mostra, de fato, o quanto a sua marca e o seu conteúdo conseguiram alcançar. 

Ao que tudo indica, a política do Instagram aparenta ser um formato eficaz. No entanto, ainda não se sabe se a medida é oficial ou não. Há, ainda, a possibilidade de que o teste pode não atingir o objetivo desejado e, por algum motivo, deixar de ir pra frente.

O que podemos fazer agora é nos preparar para esse novo cenário e a mudança na experiência do usuário atrelada à ele, cuja busca de uma rede de conteúdo mais colaborativo e genuíno será o foco principal das mídias sociais em geral, fazendo com que materiais mais vazios percam seu espaço no mundo digital.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *